segunda-feira, 21 de abril de 2014

Auto-estima.



ÊA GARERA BUNITA!!

Como estão vosmicês? Mas tipo, bem mesmo, ou tá bem só porque está viv@ e com saúde? Ah fala serio né, vamos dar um jeito de se por pra cima, nada pior do que ficar com a estima baixa. Isso pode atrapalhar todos os aspectos da sua vida, acredite.

Primeiro vamos detectar a raiz de todo mal. Faça uma autoanalise, veja se tudo na sua vida está correndo do modo como gostaria... Ok. A resposta é não, acertei? Claro que acertei, nada na vida de ser humano algum é como ele gostaria que fosse. As pessoas sempre sentem necessidade de melhorias em alguma coisa, seja em si mesmo, no trabalho, na vida social, ou amorosa, sempre queremos as melhores coisas da vida. Querer que todas estas coisas sejam maravilhosas não é errado, o errado é achar que tudo está tão ruim, e que se ao menos você tivesse algo que fosse perfeito em sua vida, você seria mais feliz. 

Aprenda: A felicidade não está nas circunstancias, nem em nada e muito menos em outra pessoa, ela está em você mesm@, basta se esforçar para encontrar esse bem dentro de si, e cuidar para que não o perca novamente. Claro somos humanos, e temos falhas, logo vamos ter tristezas e decepções também, mas a derrota surge quando você se permite ser derrotad@ por alguma circunstancia ou acontecimento.


Leitor@ cabisbaixo e revoltad@:
"Falar é fácil, eu tenho tentado me colocar de pé, melhorar minha estima, mas tudo nessa vida me põe pra baixo. Meus pais não me entendem, minha família é um caos, meu trabalho é estressante, vivo brigando com namorad@, tenho poucos amigos, e os amigos que tenho estão muito ocupados cuidando de suas próprias vidas pra se importarem com a minha... Eu me sinto inútil, incapaz, fei@, tudo é tão difícil pra mim!"

É para ficar com dó? ,-,
Olha, eu não sei nada sobre você car@ leitor@, mas eu não me comovi nem um pouco, e sabe porquê? Simplesmente porque você se vê como um ser inferior, e tem pena de si mesmo. É como se inconscientemente você sentisse prazer em estar tão mal, para que as pessoas tenham dó e se compadeçam... Mas não é dessa forma que vai conseguir uma atenção benéfica. 
Acredito que ter dó ou pena é um sentimento que deve ser destinado apenas aos animais que sofrem por algum motivo, como maus-tratos e abandono, aos humanos, a raça pensante e com auto-domínio, devem ser mostrados amor e caridade (que não é o mesmo que esmolas, longe disso, ser caridoso é ser altruísta!). 

Sinceramente, vamos encarar as coisas por um lado lógico e eficiente: Por mais que você esteja mal, SEMPRE, haverá alguém numa situação pior que a sua.

Há vários exemplos disso ao nosso redor, apenas estamos ocupados demais olhando para nosso próprio umbigo.

Talvez o seu problema seja um relacionamento ruim com seus pais, seja o motivo que for, tem pessoas que foram maltratadas pelos pais que tinham, ou simplesmente cresceram sem eles para ajuda-los nas fases mais especiais da suas vidas.
Talvez você sofra por achar que não tem amigos, mas tem um monte de gente que está cercado de pessoas e é super popular em todos os lugares que vai, mas se sente tão só quanto você e ainda por cima desenvolve uma carapaça artificial, uma mascara que o torna tão 'popular' assim. Popularidade não é sinônimo de muitos amigos verdadeiros.
Pode ser que você ache a sua casa feia, e reclama por ter que dividir seu quarto com seu irmão e família. Tem gente que nem casa tem pra morar, e tem que dividir um papelão com o irmão e os pais.
As refeições na sua casa não são tão gostosas assim. Muita gente come alimentos vencidos todos os dias, isso é, quando acha algo pra comer, quando não encontra o jeito é ficar com o estomago doendo de fome.
Você não tem a roupa da "moda". Muita gente está com farrapos pela Terra.
Seu trabalho é uma droga! Seu chefe um FDP que só faz te atormentar e seus colegas são um bando de hienas. Bem se quiser, corre atrás de outro melhor, e manda seu antigo chefe e colegas pro inferno! Mas só pra não perder o costume: Tem gente que não consegue ter um trabalho digno, e precisa ralar em dobro, comer humilhação em dobro, pra poder sustentar a família.
Você reclama que sua vida é difícil e tem muitos problemas e blá blá blá. Mas tem gente que está em fase terminal de doenças degenerativas, e têm passado a viver com gosto, e mesmo que esteja pra morrer a qualquer tempo, fariam qualquer coisa para poderem viver até aos 100 anos. 
Você quer deixar de respirar... Tem gente que morreu e nem viu as coisas bonitas da vida, não realizou os seus sonhos, não disse á pessoa mais importante da sua vida o quanto a amava, e teve a vida tirada de si de forma brutal e fria...
A vida é muito curta pra ficar reclamando de barriga cheia, e deixar que escorra pelos dedos como se fosse areia seca.

Leitor@ aborrecido com minhas declarações:
"Ahhh! kkkkkkk! Até parece que você tem uma vida perfeita, ou melhor, você só pode ter uma vida perfeita né? Com certeza é uma filhinha-da-mamãe!"

Deixe-me falar um pouco sobre mim e minha vida pessoal, algo que raramente faço, pois é algo que interessa só a mim. Falarei o suficiente.

Bem, eu ADORARIA ser uma filhinha da mamãe, mas minha mãe é linha dura e não passa a mão pela minha cabeça. Eu sou preta, pobre, nordestina e baiana. Nasci em Feira de Santana- a Princesinha do Sertão (apesar de estar a 2:30 hrs de distancia de Salvador) Como a grande maioria das pessoas que conheço, cresci numa família desestruturada, fiquei morando tempos intercaladas da minha infância com minha avó paterna e minha mãe, pois minha mãe tinha que trabalhar arduamente para me sustentar, sofria humilhações e suportou tudo por mim, como grande parte das mães brasileiras (mãe, muitíssimo obrigada!),até hoje ela trabalha para sustentar a família, mesmo estando numa situação onde podemos viver de forma mais confortável. Nunca passei fome na minha vida, sempre tive o que foi necessário para meu bom desenvolvimento físico e psicológico. Algumas situações me tornaram uma pessoa forte e resistente no que se diz a caráter, valores e personalidade. Desde criança procurei desenvolver um pensamento positivo, e sinceramente, esse meu lado de pensar positivo me trouxe muitos benefícios. Devido a coisas que presenciei, situações e comportamentos de diversas pessoas que fizeram e/ou fazem parte da minha vida ao longo desse 20 anos, decidi que nunca seria o tipo de pessoa que se abate por besteiras, ou fica se lamentando por qualquer coisinha, decidi que seria forte e altamente capaz de fazer qualquer coisa que eu tenha como objetivo, pra você ter uma ideia, aos 6 anos eu idealizei entrar na faculdade com no máximo 20 anos, aos 18 passei em 3 vestibulares,19 anos passei no meu primeiro vestibular na UFBA, (mesmo não sendo no curso que eu queria ;~;, e não eu não vivo me acabando em livros de química, matemática ou gramatica, me dediquei totalmente aos estudos quando eu estava estudando na rede publica, agora que concluí tô muito preguiçosa) claro eu não sou de ferro, tenho momentos tristes e deprês, principalmente na TPM, mas sem mentira alguma: esses momentos passam no dia seguinte, de uma forma ou de outra, por que acabo arranjando um jeito de descartar um sentimento tão ruim e que acaba com a beleza interior e exterior. Já quebrei a cara por coisas simples, e também coisas importantes, e por essas e outras amadureci, mesmo que eu pareça idiota e bocó como eu sou com meus amigos, que também são uns bocós idiotas.
Durante minha adolescência inteira eu vivi tímida e com pouca autoestima. Isso mudou a partir dos meus 18 anos, quando passei a tomar atitudes diferentes.
 Eu me esforço pra conseguir o que quero, mesmo que demore, conquisto o que quero usando Cristo e seres felinos selvagens como exemplos- são meus preferidos. 
E o mais importante de tudo, também tenho problemas, porque eu sou humana e imperfeita acima de tudo. 
E blá blá blá, minha vida não é um mar de coisas ruins, no geral. Felizmente.
Isso tudo pode parecer um texto de uma guria que pensa de forma sonhadora (eu prefiro positiva), mas se for analisar bem, eu estou com a maior parte da razão. Algumas atitudes podem te fazer mudar aos poucos, mudar a sua visão das coisas, e sua forma de agir com relação a varias situações. E o melhor elevar sua autoestima.

Medidas simples para ficar com a autoestima lá em cima!


  • Eu costumo realizar algumas coisas todos os dias, se tornou natural pra mim e têm me trazido benefícios- já vou avisando que sou narcisista, acabei ficando narcisista quando comecei a me amar- enfim, espero que possam fazer essas pequenas tarefas todos os dias, pois assim vai conseguir bons resultados.

  • Tire um tempo pra mergulhar nas suas musicas favoritas com fones de ouvido, de preferencia sem ninguém conhecido por perto, pode ser na janela do ônibus, caminhando, sentad@ do lado de fora de casa, etc. Enquanto escuta suas musicas favoritas, aprecie a natureza ao redor, mesmo que você more em cidade onde tem muitos prédios, o céu ainda está á vista. (Eu costumo fazer isso durante a noite, pois me identifico com coisas noturnas e sóbrias, e viajo nas estrelas, astros... viajo muito no universo em si.)

  • Encontre algo que você sinta prazer em fazer, como ler um bom livro, ouvir musica, andar por aí desbravando um bairro legal, aderir a um novo estilo de moda, cuidar da pele, se dar ao luxo de falar besteiras, enfim, o que te fizer bem e faça seu cérebro liberar aquela substancia do bem-estar.

  • Sempre que puder, disfrute do silencio total! Deixe até os fones de ouvido de lado por um tempinho do dia. O silencio total é como um desintoxicante para a mente, o corpo e a alma, de uma rotina tão cheia de barulhos, sons, gritos, e algazarra. No inicio vai ser um tanto inquietante, mas com poucos dias vai estar acostumad@. 

  • No silencio total procure não pensar em nada. Faça o máximo pra esvaziar a cabeça totalmente. Vai surgir um pensamento besta aqui e ali, mas tente ao máximo disciplinar sua mente. Você vai relaxar e descansar.

  • Tome um banho fora do comum pelo menos uma vez ao dia. Eu costumo ligar o som (do celular quando tem alguém em casa) nas alturas com uma playlist de acordo com meu humor e estado de espirito, as vezes escuto Épica, as vezes as musicas mais hard-core de The GazettE, as vezes suaves como Lorde, ou quando to afim de ser a diva do rococó ouço Bach, Dvorak, Mozart e Vivaldi, meus compositores favoritos. Banho gelado, aproveito pra sentir o contato da água na pele, e o frio que ela me causa, fico até sentir que as impurezas mentais, e físicas e enérgicas saíram totalmente. Mas vê se não gasta água demais, olha a consciência ambiental. 

  • Faça o bem! Tem uma frase que, não lembro de é do Dallai Lama, mas ela diz o seguinte: "O maior altruísta é o maior egoísta, porque ele percebe que fazendo o bem ao próximo, está fazendo um bem maior a sim mesmo." Essa frase me marcou muito, e eu sou testemunha do quanto ela é verdadeira. Atenção: existe diferença entre ser ingenuo e procurar ter um bom coração, acima de tudo não ultrapasse seu limite de amor próprio.

  • Se encare de frente. Não adianta tentar ficar mascarando seus defeitos , tentando mentir pra si mesmo, com medo do que os outros vão pensar. Você é você, não os outros. Os outros são apenas os outros. Entenda que ninguém é mais importante pra sua vida do que você mesmo, afinal de contas é sem você mesmo que ´Você não vive. Então pare de besteira e comece a ter plena consciência de "eu sou de tal forma, gosto das coisas de tal jeito, não gosto de tais coisas, eu quero... Eu almejo... Tenho como objetivo..." Enfim, se conheça, aprofunde-se em sim mesm@.



Bem, é isso, espero que eu tenha ajudado pelo menos um pouco.
Até a próxima!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro do Mês- Sete Ossos e uma Maldição


PESSOAS DO MEU CORAÇÃO! 
Tudo bem??
Comigo tudo ótimo! 
Estava pensando no que postar durante essa semana no LP, aí lembrei que há algum tempo, queria postar textos de livros que já li e que gostei muito. Então resolvi criar a tag "Livro do Mês", que não será sobre o livro que li no mês, mas sim um livro que já li e recomendo :)

Para abrir com chave de ouro, vamos começar com Sete Ossos e uma Maldição, da escritora Rosa Amanda Strausz. 
Li esse livro em 2007, ou seja, temos aí 7 anos, mas nunca esqueci o quanto esse ele me surpreendeu, e me prendeu ás suas paginas. Sete Ossos e uma Maldição é uma boa pedida para quem está afim de ler contos de terror, ao estilo, elegante e aterrorizante, nada de miolos espalhados e entranhas jogadas por aí, através de um texto claro e limpo, Rosa Strausz consegue fazer o leitor imaginar uma cena mais macabra que a outra... Enfim, ficou curios@? Só para dar um gostinho a mais aqui vai um dos contos desse livro, deixe as luzes acesas, bem acessas... 

Capa do livro


"O fruto da figueira velha

Denise não acreditava em casa mal-assombrada. Não há nada que dez 

baldes de tinta fresca não resolvam, costumava dizer. Além disso, ficou louca 

quando viu o casarão à venda. Era simplesmente espetacular. Tinha um excelente 

terreno para fazer jardim e quintal, três salas imensas, cinco quartos, três banhei-
ros e vários cômodos que poderiam ser adaptados. O lugar perfeito para uma 

recém-casada que pretendia ter muitos filhos.

Velha era, até demais. Exigiria um bocado de reformas. Mas o preço era 

incrivelmente baixo. Jamais conseguiria comprar uma casa daquelas tão barato.

Não foi difícil convencer o noivo a trocar o sonho de um pequeno 

apartamento de sala e quarto por uma mansão maravilhosa. Compraram o imóvel 

e levaram um ano inteiro fazendo obras. Ao fim do período, tinham uma casa 

simplesmente deslumbrante. A antiga fachada descascada agora exibia uma 

alegre pintura amarela. Portas, janelas e pisos tinham sido recuperados. Cômodos 

que antes cheiravam a mofo deixavam passar fartas lufadas de ar fresco. 

Canteiros de flores e ervas aromáticas substituíam o terreno baldio que antes 

rodeava a casa. Tinham capinado e replantado tudo.

Denise só manteve uma antiga figueira. Era simplesmente magnífica com 

seu tronco forte e uma profusão de galhos. Quem chegasse à casa, veria, em 

primeiro lugar, a figueira, que reinava, soberana, na entrada. Em seguida, 

prestaria atenção à moradia impecavelmente reformada.

Agora, ali, tudo era claro, colorido e cheirava bem.

Verdade que a vizinhança ainda evitava o lugar. Até mesmo o carteiro relutava 

em se aproximar. Mas nada impediu o jovem casal de mudar-se para lá logo após 

a lua-de-mel.

Denise ainda se lembrava bem do dia da mudança, os dois pegando carona 

no caminhão e olhando as ruas com uma curiosidade infantil. Foi nessa ocasião 

que ela reparou na igrejinha que ficava a poucos quarteirões da casa. Uma graça. 

Apesar de sua arquitetura antiguinha, era obviamente nova, com a pintura ainda 

fresca e um sino que ainda reluzia.

Denise e Tiago capricharam na primeira noite que passaram na nova 

residência. Montaram uma bela mesa no jardim e serviram ali um jantar especial, 

com toalhas bordadas, talheres novos, flores e velas.

Apaixonado, o casal tomou uma taça de champanhe, enquanto admirava a 

propriedade e engolia a comida feita por eles mesmos — que nem estava tão boa 

assim, mas nem ligaram.

Nenhum dos dois era bom cozinheiro. O romantismo foi o suficiente para 

ignorarem o bife duro e o arroz mal cozido. Mas, na hora da sobremesa, foi 

impossível engolir o pudim. Feito com todo o amor do mundo — mas nenhuma 

técnica culinária —, foi deixado de lado logo depois da primeira colherada. 

Estava intragável.

O jeito era rir do desastre. Rir muito, jogando a cabeça para trás, olhando a 

lua e dando muitos beijos.

Foi assim, com a cabeça jogada para trás e plena de felicidade, que Denise 

percebeu que a figueira estava repleta de frutos. À luz do luar, os figos 

brilhavam, cintilantes e convidativos.

Nem pestanejou. Correu para a árvore e colheu o mais bonito. Seria a 

sobremesa certa para aquela noite perfeita — só estragada por um errinho de nada 

na receita do pudim. Voltou para a mesa rindo e mordendo a fruta. Estava 

deliciosa. Madura, carnuda e doce como a melhor das sobremesas. Comeu uma 

metade, deu a outra ao marido, e foram dormir.

Nada explicaria o terrível pesadelo daquela noite. A brisa estava fresca, o quarto 

arejado, os lençóis eram novos e macios, o jantar tinha sido leve e ela estava 

muito feliz. Tratava-se de uma realidade tão perfeita que era consigo mesma que 

Denise sonhava. Sonhava que estava dormindo em sua casa nova, ao lado de seu 

marido, depois de um alegre jantar no jardim.

No sonho, experimentava passar o peito do pé de leve sobre o lençol. Ia 

sentindo a maciez do tecido como um carinho até que seu pé tocasse o corpo de 

Tiago. Então, voltava para a posição inicial e começava tudo de novo. Deslizar a 

pele pelo algodão fresco, tocar a perna do marido, recolher o pé.

No entanto, num desses movimentos, esbarrou numa coisa diferente. Em 

vez da suavidade do tecido ou do calor do corpo de Tiago, seu pé tocou numa 

superfície áspera e úmida, como um osso recoberto por escamas geladas. Abriu 

os olhos, sobressaltada, e viu uma criatura sentada em sua cama, entre ela e o 

Não dava para saber ao certo do que se tratava, se bicho ou assombração. 

O corpo, muito magro, era recoberto de couro rugoso. A coisa eslava sentada de 

cócoras, com os joelhos dobrados, mas não da maneira como uma pessoa encolhe 

as pernas. E os pés e mãos, mais parecidos com garras, lhe diziam que aquilo, 

decididamente, não era humano.

Nem precisaria dizer, bastava olhar o rosto. A cabeça pendia do pescoço e 

girava em todas as direções como a de uma galinha. Mas os olhos estavam 

cravados nela. Miúdos, brilhantes, tão estúpidos quanto cruéis.

Embora a coisa não a tocasse com as mãos, Denise sentia a garganta 

comprimida de tal modo que não conseguia gritar. Tampouco podia mover o 

corpo. Muda e paralisada, viu quando a criatura abriu a boca — seria aquilo um 

sorriso? — e lhe disse:

— Gostaria de saber quem a autorizou a roubar minhas frutas.

Denise queria se defender. Não tinha roubado nada. A casa era sua. Mas a 

voz não saía. A criatura, no entanto, pareceu ler seus pensamentos.

— A casa é sua? — Uma risada debochada ecoou pelo quarto. — Quem 

lhe contou um absurdo desses? Esta casa me pertence. Ela e tudo o que está 

Antes que Denise pudesse retrucar, o estranho ser pulou para o chão e 

completou, sibilando:

— Inclusive você.

Dizem que quando uma pessoa morre vê toda a sua vida passar diante dos olhos 

numa fração de segundo. Coisa parecida aconteceu com Denise. De repente, tudo 

o que já tinha ouvido falar a respeito de fenômenos sobrenaturais passou por sua 

mente ao mesmo tempo. Informações às quais jamais dera a menor importância. 

Histórias que sempre julgara pertencerem ao folclore e às crendices populares. 

Subitamente, tudo fazia sentido, tudo parecia totalmente real.

Figueiras são as casas do diabo, sempre lhe dizia sua avó. O tinhoso 

escolhe essas árvores como moradia porque elas foram amaldiçoadas por Jesus.

Denise nunca dera muito crédito às histórias da avó. Tivesse prestado 

atenção nelas, teria desconfiado do casarão tão barato, do pavor que a vizinhança 

manifestava do local. Mas nunca tinha sido supersticiosa.

— Superstição? — debochou o diabo, lendo seus pensamentos. — Ora, 

minha querida, você é minha propriedade e está em meus domínios. E roubou 

uma fruta da minha árvore. Vai ter que devolvê-la.

Sentada na cama, quase sufocando de pavor, Denise não conseguia 

responder, nem se mover, nem sequer respirar direito.

Quando o grito se soltou de sua garganta, Tiago deu um pulo. Já era manhã alta. 

Sentada na cama, Denise uivava como um bicho selvagem, na mesma posição em 

que estivera enquanto o demônio lhe falava as coisas horríveis que escutara. 

Teria dormido daquele jeito? Sentada? Não era possível. A impressão era de que 

fora tirada dali, inconsciente, e acabara de ser devolvida a seu quarto.

Tiago tentava acalmá-la. Dizia mil vezes que tudo não passara de um 

pesadelo. Mas nada adiantava. Denise ainda sentia inteiro o horror da presença, 

como se a besta apenas tivesse se tornado invisível, mas continuasse ali.

Desde essa noite, não conseguiu mais dormir direito. Mal anoitecia, seu 

coração ficava pesado, cheio de pressentimentos. O sono era interrompido a toda 

hora por sustos que a faziam abrir os olhos na escuridão. Não via nada diferente 

no quarto, mas tinha certeza de que o demônio estava ali, com seus olhos 

estúpidos e cruéis fixados nela.

E foi assim, noite após noite. Denise emagreceu, ganhou olheiras 

profundas, tornou-se frágil e nervosa. Nada lembrava a jovem apaixonada e cheia 

de vida que se casara tão pouco tempo atrás.

Dois meses mais tarde, teve uma notícia. Estava grávida. Em vez de ficar 

feliz, como era de se esperar, caiu no choro. Não sabia por que, mas tudo o que 

aquela gravidez lhe dava era um medo imenso. Como para confirmar seus piores 

presságios, naquela noite, o bicho medonho voltou.

Estava quase adormecendo quando sentiu que garras ásperas e frias 

tocavam seu rosto. Mesmo sem abrir os olhos, sabia quem estava a seu lado. 

Podia sentir seu hálito metálico e ouvir seus passos cambaleantes.

— Não adianta fingir que está dormindo. Sei que você me escuta — disse a 

coisa, com sua voz falsamente meiga.

Não era faz-de-conta. Denise não conseguia se mexer, nem falar, nem 

gritar. E foi assim, paralisada, que escutou a voz do demônio pela última vez.

— Não quero perturbá-la demais, minha menina — começou ele, 

pigarreando. — Mulheres grávidas devem ser deixadas em paz. A última coisa 

que eu desejaria era que esse doce fruto que você carrega no ventre azedasse por 

conta de seu nervosismo.

O peçonhento pulou para o chão, e continuou falando enquanto andava de 

um lado para outro, balançando a cabeça, mas sem jamais tirar os olhos de sua 

— Mas, pense bem, minha linda. Agora, você terá uma chance de ouro de 

pagar a dívida que tem comigo. Você ficou com meu fruto. Eu fico com o seu. 

Tudo muito justo. Basta que você me entregue a criança e prometo não voltar a 

perturbar seu sono.

Mesmo impossibilitada de mover-se ou gritar, Denise agitou-se de tal 

maneira que seu interlocutor começou a rir.

— Ora, ora, não entendo por que tamanha indignação. Estou lhe propondo 

um pagamento absolutamente justo pelo roubo que você cometeu. E, na verdade, 

não é bem uma proposta. Estou apenas lhe dando a chance de comportar-se com 

dignidade e de corrigir seu erro. Se você não me entregar essa criança por bem, 

farei exatamente o que você fez comigo: invadirei seus domínios e a tirarei de 

você como quem arranca uma fruta do galho.

Dado o recado, o demônio desapareceu. E cumpriu sua promessa. Não 

apareceu mais nos meses seguintes.

A ausência do tinhoso não acalmou Denise. Quanto mais se aproximava a data 

do parto, mais tudo lhe parecia um pesadelo real.

Um dia, Tiago passava pela rua, preocupado com o estado da esposa, 

quando viu a igrejinha. Era a mesma que tinham avistado no dia da mudança. 

Estava aberta. Da rua, era possível perceber que não havia ninguém ali dentro. 

Assim mesmo, resolveu entrar e rezar um pouco.

O interior da pequena igreja era mal iluminado. Mal dava para perceber 

direito os detalhes da construção. Mas era evidentemente nova ou tinha sido 

recém-reformada porque, em vez do aroma adocicado de incenso que costuma 

impregnar as igrejas, ali o que predominava era cheiro de tinta fresca.

Tiago aproximou-se do altar, ajoelhou-se e, antes mesmo de fazer o sinal-
da-cruz e começar a rezar, viu que um homem se aproximava. Era o padre. 

Parecia bastante jovem.

— Posso ajudá-lo? — perguntou o pároco. Sua voz era suave e inspirava 

O rosto de Tiago iluminou-se. Sim, se havia alguém que podia ajudar 

naquela situação era um padre. Contou-lhe tudo o que acontecera, sem omitir 

nenhum detalhe. Por fim, foi tranqüilizado pelo jovem religioso.

— Meu filho, não se preocupe com mais nada. Agora, esse assunto está 

em minhas mãos. Hoje à noite, farei uma visita a sua esposa e conversarei com 

À noite, conforme o prometido, o pároco lhes fez uma visita. Novamente, ouviu 

toda a história, agora contada por Denise. E repetiu as mesmas palavras que já 

tinha dito a Tiago:

— Não se preocupe mais com isso, minha filha. O poder que eu represento 

é muito forte. Ninguém roubará aquilo que só pertence a meu senhor. Assim que 

a criança nascer, virei buscá-la. Ela ficará comigo na igreja. Lá, ela estará a 

Embora jovem, o padre transmitia imensa segurança e fé. A voz era puro 

conforto; os olhos, só doçura. Denise sentiu imediatamente que podia confiar 

nele. A partir daquele dia, não teve medo de mais nada. O demônio não 

perturbava mais seu sono, ela se alimentava bem e chegava até mesmo a can-
tarolar enquanto comprava as roupinhas para o bebê e decorava seu quarto.

Ao fim do nono mês, teve seu filho, um menino forte e saudável. Nem 

chegou a levá-lo para casa. Embrulhou-o numa manta de lã azul-clarinha, como o 

céu, e saiu diretamente do hospital para a igreja, onde o padre já a esperava.

— O senhor acha que ele vai precisar ficar muito tempo aqui? — 

perguntou, aflita por ter que se separar do bebezinho.

— Não, minha filha. Basta que ele durma aqui esta noite. Amanhã cedo, 

iremos batizá-lo. Depois disso, já estará consagrado e intruso nenhum conseguirá 

aproximar-se dele.

Aliviada, Denise deu um beijo na testa do menino e foi para casa, seguida 

Na manhã seguinte, bem cedo, foram para a igreja, acompanhados dos padrinhos. 

Denise estava ansiosa, mas feliz. Tiago torcia para que o pesadelo tivesse logo 

um fim. Já estavam decididos a mudar de casa e começar vida nova bem longe 

Era esse o assunto dentro do carro, onde os dois casais riam para tentar 

disfarçar a tensão. Denise já estava até pensando que talvez pudessem se mudar 

para outra casa antiga.

— Desde que tenha uma boa igreja por perto — completava o padrinho, 

que nunca tinha levado aquela história de figueira muito a sério.

— A verdade é que sempre ficamos impressionados demais com as forças 

do mal — dizia a madrinha. — Acho que o maior poder que elas têm vem do 

nosso próprio medo. Quando decidimos enfrentá-las, não resistem.

— Bem, talvez não seja bem assim — ponderou Tiago, que ainda guardava 

bem vivos os gritos apavorados da mulher nas piores noites.

Mas o padrinho interveio:

— Ora, Tiago, se não fosse assim, o tal demônio teria aparecido nesta 

noite mesmo para buscar a criança. Ele apareceu?

Denise admitiu que não. Nada lhe perturbara o sono.

— Pois então — teimou o padrinho. — Vocês ficaram impressionados 

demais com essa história.

A conversa seguia tão animada que o grupo chegou ao fim da rua sem ter 

parado na porta da igreja.

— Passamos do ponto — disse Tiago, ainda rindo. — Vamos ter que 

Fizeram a manobra no carro e retornaram, desta vez prestando atenção. 

Mas não viram igreja nenhuma.

— Tem certeza de que é aqui? — perguntou a madrinha.

— Claro! — respondeu Tiago, já apreensivo.

Passaram novamente pela rua toda. Não havia sinal de igreja por ali.

Toda a tranqüilidade de Denise tinha desaparecido. Sem dar ouvidos às 

ponderações dos padrinhos, saltou do carro e começou a correr a calçada de cima 

para baixo como uma louca.

Finalmente parou, com os olhos arregalados, fixos num ponto de um 

terreno baldio. Todos a seguiram.

No centro do terreno, imaculadamente limpo, só havia uma pequena 

planta. Uma muda de figueira com cerca de cinqüenta centímetros de altura.

Ao lado da muda, um fiapo de lã azul misturado com a terra denunciava

que alguma coisa tinha sido enterrada ali."

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Diário de uma Caloura da Ufba. Secretariado executivo: Primeiras semanas.



ÊA MEU POVO!! 

Ninguém merece, comecei a estudar e enm reportei a vocês como estou me saindo na ufba...
Bem, está sendo muito cansativo, cansativo pra caramba, mas, em compensação, muito divertido!
Estou feliz por estar na Ufba, é meu sonho desde os seis anos de idade, que foi quando eu disse que entraria na universidade com no máximo 20 anos, eu tenho 19. Porém, nem tudo é feito de rosas né, to me lascando todo dia com minha rotina auheuhaehuaehaueh '-'

Rotina de Liza:

Todos os dias eu levanto ás 4:00 hrs da manhã, saio de casa às 5:00 hrs para pegar um ônibus e ir para o centro de Camaçari, que é onde eu moro, e lá eu espero o ônibus universitário que vai às 5:45 hrs para Salvador. 
Chego no campus às 7:00 hrs, e assisto à primeira aula que começa na mesma hora. Em alguns dias, tenho que pegar o Busufba (um ônibus da universidade que transporta os estudantes entre os campus, que sinceramente, são um tanto longe uns dos outros) na maioria, não em 99,99% das vezes ele tá lotado, ontem mesmo eu caí dentro do ônibus, porque não tinha lugar pra me segurar, aí já sabe né, xD
Minhas aulas acabam ás 13:00 hrs (não eu não peguei atividades e nem matérias extras, ainda não sou obrigada a fazer isso...) aí pego o ônibus de volta pra Camaçari e chego aqui por volta de 14:30. Aí vou direto fazer as atividades do dia, tanto de casa quanto da universidade. E finalmente eu desmaio às 19:00 hrs, e começo tudo de novo no dia seguinte :3
Dia animado, não?

Busufba- Esse foi o dia que caí, só deu pra tirar foto de um pedaço o ônibus, estava muito cheio.


Os trotes:

Bem, na primeira semana teve uma recepção calourosa, mas eu só fui em um dia, nos outros teve pintura, banhos de tinta e tals, mas eu não estava ´presente, hehe. Mas ainda não teve o trote propriamente dito, se não me engano ainda vai ter a grande recepção a todos os calouros da Ufba, na Feira do Conhecimento.
No roteiro, que é o ônibus que pego pra ir pra Salvador, teve um trote. Pitaram meu rosto com creme dental. E na semana seguinte fizemos um café da manha com direito até a lasanha.

O curso de Secretariado Executivo:

No inicio eu não sabia se ia continuar com esse curso ou ia mudar para outro, mas acabei gostando muito desse, pela rotina de trabalho, e pela grade de matérias, tem muitas línguas estrangeiras  pretendo aprender todas, sem falar que tem mercado interessado, e a remuneração é maravilhosa. Não vou aprofundar sobre o que é Sec. Executivo, mas vu postando aqui todas as novidades sobre o curso.

Meus colegas de classe:

Gentem! Eu simplesmente gostei muito dos meus colegas, antes do inicio das aulas eu estava mais preocupada em saber se eu ia gostar deles do que om as matérias e tals. Enfim, gostei muito, são bem divertidos e sem frescura, e ah, não são bossais.

Os professores:

Gostei, é bem nítida a diferença de um para o outro, todos tem uma essência unica, e uma maneira unica de lecionar. São bem organizados e de certa forma exigentes. Bons professores.

Minha família em relação ao meu estado universitário:

Minha mãe está bem feliz, claro, meu namorado também ficou muito feliz por mim, meus amigos também, mas meus parentes e meu pai biológico não se manifestaram sobre o caso.

Meu cachorro em relação á isso:

Sushi é a pessoa que me recebe com mais explosão de alegria, quando eu chego! Parece que eu fiquei um mês fora de casa, ao invés do dia todo.

Como estou:

Bem, eu estou normal, se é que posso dizer que sou tão normal, mãe diz que tenho um parafuso a menos, mas se é verdade não sei. Enfim... Sei lá, estou gostando de ser universitária e blá blá blá, mas não é tão fácil quanto eu pensava que fosse. A vida universitária exige muita dedicação, atenção, e dinheiro. 
"Por que dinheiro?"
Porque você tem que gastar com: Transporte, xerox, alimentação, xerox, alimentação, xerox, transporte, alimentação, roupa, mochila, sapato, xerox, alimentação e por fim transporte. E se quiser completar a lista, uns comprimidos para dor de cabeça, ou polivitamínicos para repor os nutrientes de alimentações perdidas, porque né, quase sempre não dá nem tempo de comer.

Até o próximo post \o\