terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Imaginaerum by Nightwish: fantasia e trevas com um toque de surrealismo







CONTÉM SPOILER



   Imaginaerum é o nome do sétimo álbum da banda Nigthwish, lançado no final de 2011 na Finlândia e em 2012 no Brasil. Logo nas primeiras semanas de lançamento no seu país de origem, o álbum vendeu como água! E, apesar de bandas e bandas, Imaginaerum continua sendo um dos meus álbuns favoritos nesse gênero de metal, a sonoridade e as letras das músicas são incríveis, e, por se tratar de um álbum conceitual, foi produzido junto a um filme de mesmo nome.

        Logo na primeira cena do filme somos expostos ao cenário principal. O personagem principal, Thomas, carinhosamente chamado de Tom (faz alusão a Tuomas Holopainen, tecladista e fundador da banda), é um velho compositor e pianista que sofre com graves problemas de saúde e familiares. Após uma das crises, Thomas vai ao hospital desmaiado e metade da história do filme se passa na mente dessa personagem durante o coma, enquanto a outra metade se passa na realidade, onde sua filha, já adulta, tenta resolver os conflitos emocionais que teve no seu relacionamento com o pai.


           Já no coma, Thomas revive sua infância, onde um boneco de neve de aparência assustadora, que ele mesmo fez, cria vida magicamente e o leva para uma aventura. No começo, nada no filme parece fazer sentido, mas no decorrer da história compreendemos que as personagens fantasiosas dessa aventura na verdade são representações de pessoas que foram importantes na vida da personagem principal.



           Thomas nunca superou o trauma de presenciar a trágica de seu pai, que por sua vez sofria com crises de alcoolismo e depressão desde a morte de sua esposa e mãe do garoto. Na imaginação do garoto, seu pai ainda estava vivo, compreendendo assim que o boneco de neve malvado só existe porque Thomas não deixa seu pai morrer. Assim, inicia-se uma fuga sem destino, pois o personagem principal sequer sabe onde está. Nesse ponto, o filme me lembra muito Alice no país das Maravilhas!


        Então, é dentro de uma das lembranças de Tom (a ida ao Circo com seu pai que nunca aconteceu, episódio que se repete com ele e sua filha), que aparece a participação da banda tocando a música Slow, Love, Slow, misteriosa, sombria.


           Tom é submetido a um espetáculo onde ele mesmo é a atração, e então vê-se velho, sob o poder de sua filha que, vingativamente começa a mexer nas lembranças do pai, magoada por nunca se encontrar nelas. Ao som de Scaretale, parecem as cenas mais assustadoras das lembranças do pequeno Tom.



              Eis que, quando a filha de Tom percebe que seu pai lembra sim dela e de sua mãe, o rumo da história começa a mudar. O amadurecimento de Thomas é representado de uma forma muito fofa, ao meu ver, pois, ao correr atrás de sua filha, a personagem infantil envelhece, tornando-se o próprio Tuomas do Nightwish.

        As cenas do amadurecimento de Thomas se misturam com as experiências das mortes traumática de seu pai e sua esposa, assim como a revolta de sua filha, em culpar o pai pela morte da mãe.



             Nessa hora, a trilha sonora contribui para que seja uma das mais emocionantes cenas do filme. Enquanto isso, no mundo real, a filha de Tom começa a entender a consciência de seu pai e a entender seu comportamento. Então, começa consigo mesma uma batalha contra o tempo, para voltar ao hospital e conseguir assistir aos últimos minutos de vida de seu pai, perdoando-o pelo mal entendido que prejudicou a história de vida dos dois por muito tempo.



              Por triste que seja, a morte de Tom representa um grande passo no amadurecimento de sua própria filha, e uma conciliação da mesma com seu passado, vencendo rancores e traumas de sua infância. As últimas cenas do filme são cativantes, pra quem se envolve com as histórias dos filmes, que nem eu, é emocionante!


Comentários: Imaginaerum é filminho obrigatório para os fãs do Nightwish, é um filme pra quem gosta de encucar para entender histórias, é objetivo em algumas mensagens e subjetivo em outras, mas dá-se para concluir muita coisa sem necessariamente precisar de esclarecimento. É o tipo de filme que você entende melhor assistindo mais de uma vez, pois dá para percebermos novas conclusões sempre que assistimos uma nova vez. Quem gosta de Alice no País das Maravilhas certamente gostaria de Imaginaerum. Dá pra perceber que o álbum e o filme foram feitos um para o outro.

Nota: 5/5
Mas sou fã e suspeita pra dar nota!